CIBERMODA: a moda do punk ao estilo matrix.


 
 A cibermoda, a cybermoda ou a também chamada cyberfashion e suas influências na cibercultura e no ciberespaço. A cibermoda é a junção do “ciber” com a “moda”, mas vai muito além de roupas tecnológicas. Veremos suas influências no meio ambiente, no cinema, no wearables computers, wearcomp ou nos também chamados “computadores vestíveis” e no cyberwear. Também veremos como a cibermoda é vista no cotidiano e nas tribos, com uma visão do movimento e da moda punk, que nasceu nos anos 60 em Londres e influenciou a moda Cyberpunk nos anos 80 e 90, chegando ao Estilo Matrix.

  A palavra moda, modus, mode ou fashion, em suas variadas origens, remete à imagem, corpo, estilo, tendência, roupas, indumentária, adorno, traje, beleza, entre outras alinhavadas ao sistema da moda. A moda, divulgada nos meios de comunicação de massa, televisão, revistas, outdoors, backlights, nos filmes, cinemas, ruas, nas novelas, na internet, na mídia segmentada etc., também está presente no ciberespaço e na cibercultura. Há um sistema complexo por trás disso tudo, da moda como técnica e como processo comunicacional. Mas qual a relação entre a moda, a cibercultura e o ciberespaço ?

 Muitas são as interpretações e definições dessa cultura contemporânea. O importante é saber que estamos inseridos nessa cultura tecnológica, estamos conectados a ela, a cibercultura. O prefixo “cyber”, versão americana, ou “ciber”, versão brasileira, estão presentes em diversas palavras e expressões do nosso cotidiano, como: cibercafé, ciberbar, ciberlivraria, cyberpunk, cybersexe, ciborgue, cyberfashion, cibermoda, ciberespaço, ciber-raves, ciberamigo, cibereconomia, cibermarketing, ciberarte, cibercidades, cibermundo, entre outras. O prefixo "cyber" provém do grego Kubernets, que significa “governar”, o que remete à questão cibernética, disciplina criada pelo matemático norte-americano Norbert Wiener. Na década de 40, ele definiu a cibernética como sendo a ciência do controle e processos de comunicação, entre homens e máquinas, homens e homens e máquinas e máquinas.

 Essa idéia de controle iniciou-se com uma série de manifestações culturais, que se desenvolveram com as novas mídias eletrônicas no sistema social e na evolução tecnológica, causando uma transformação nas identidades culturais dos indivíduos. A cibercultura pode ser vista por diversos aspectos e ângulos por seus autores. Lévy (2000) estabelece como análise da cibercultura a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. Johnson (2001) foca sua análise na interface e interconexões. Rüdiger (2004) começa por Fausto e Prometeu; analisa diversos autores e propõe perspectivas do pensamento tecnológico contemporâneo. Cáceres (2001) divide em quatro itens de análise o seu entendimento de cibercultura: a conectividade, a interatividade, a vinculação e a comunicação. Lemos (2004) explora a socialidade e o tecnicismo, entre outras inúmeras visões.

 O conjunto dessas manifestações culturais, a que chamamos “cibercultura”, está presente na linguagem, na literatura, na música, no cinema, na arte, na arquitetura, no design e também faz parte da comunicação e da moda. Com o desenvolvimento da tecnologia e de todas as suas potencialidades, possibilitou-se a quebra de uma série de barreiras culturais, técnicas e psicológicas.

 Destaque para a Internet, que disponibilizou e disponibiliza a criação de diversos canais de comunicação, trazendo um novo significado ao conceito “aldeia global” de McLuhan. A internet possibilita que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, em alguns segundos possa acessar milhões de informações, imagens, vídeos, filmes, músicas e ainda facilita a interação com uma ou várias pessoas de qualquer parte do mundo. Esses são alguns dos fenômenos de ordem tecnológica que fazem parte da cibercultura e são sinônimos da cultura contemporânea.

 O ciberespaço é uma junção do cibernético com o espaço, conceito criado pelo escritor de ficção científica William Gibson, em 1984, no seu livro "Neuromancer".

“O cyberespaço. Uma alucinação consensual vivida diariamente por bilhões de operadores  autorizados, em todas as nações, por crianças aprendendo altos conceitos matemáticos... Uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de todos os computadores do sistema humano. Uma complexidade indispensável. Linhas de luz abrangendo o não-espaço da mente; nebulosa e constelações infindáveis de dados. Como marés de luzes de cidade [...] (GIBSON, 2003, p. 67-68).

 Fernandes aponta ainda a possibilidade de um mundo completamente interconectado: a comunicação universal, sem fronteiras, propiciada pelo ambiente virtual e surreal que Gibson chamou de ciberespaço – uma realidade consensual (2006, p. 21).

 Esse espaço saiu da ficção e se popularizou com a World Wide Web, na década de 1990, que também chamamos de internet (a rede como um todo), sendo a web um espaço imaterial onde navegam textos, imagens, imagens da moda, transmissões ao vivo de desfiles de moda, vídeos, filmes, e-mails, áudio, transferências bancárias, as milhões de páginas da internet, blogs, fotologs etc. Basta nos conectarmos, ou seja, estarmos online no ciberespaço. A internet é o império da informação para todas as direções e o paraíso da interação. Neste caso, não há parâmetros de comparação com o que as mídias tradicionais podem oferecer (WOLTON, 2003, p. 97).

 Com um elevado grau de envolvimento no ciberespaço, temos o poder de socialização para o qual esse espaço contribui em termos do global-local, segundo Sherry Turkle:

 Há mais de cinco anos, havia muitas pessoas falando coisas como ‘‘Meu Deus! O mais excitante sobre a Web é que eu posso falar com esse cara na Austrália que possui a mesma coleção de selos do que eu’’, e agora passou a ser o fato de que a Web pode contribuir também para os relacionamentos com as pessoas que você face a face. Foi um movimento global em direção ao local. Eu penso que as coisas continuarão nessa direção. Então, a Web será valorizada tanto pelo que ela faz pelo nosso alcance global como pelas nossas possibilidades locais (2006, p. 293).

 Um exemplo empírico desse alcance foi a criação do Blog Espaço da Moda, inicialmente divulgado para os amigos somente na rede, na assinatura dos e-mails, no cabeçalho do Messenger e no Orkut - como diz Turkle, “no alcance local”. Mas o blog possui um “alcance global”, com aproximadamente 10% de visitantes de outros países, como USA, Inglaterra, China, Alemanha, México, Espanha, Moçambique, Portugal, Malásia, Austrália, entre outros; cerca de 70% dos visitantes são desconhecidos dentro do território brasileiro. O blog possui mais de 1000 acessos mensais. Esses dados são do rastreamento via Google Analytics5, que possui todas as informações sobre os visitantes e como eles interagem em sites e blogs. O Google Analytics fornece todos os recursos que são esperados de uma oferta de análise de sites de ponta e tudo gratuitamente. A moda, a cibercultura e o ciberespaço estão interligados na sociedade de consumo, de massa, da informação e pós-moderna.

Aletéia Ferreira
Mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná/UTP. Especialista em Gestão
Estratégica de Marketing pela UFMG e Graduada em Administração.

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