CUSTOMIZAÇÃO: adaptando algo ao seu gosto.

  No ano de 2000, entramos num novo culto da individualidade, redefinindo os contornos da moda e servindo de tempero à virada do milênio. Um dos pilares é o fenômeno da customização. Trata-se da subversão total do que se entende por “tendência”, já que mesmo peças compradas na estação atual podem ser futuras, rabiscadas, alfinetadas — com uma pitada de espírito punk, é verdade.
 Em rigor, a palavra “customização” nem existe em português. Vem da expressão inglesa custom made, que significa “feito sob medida”. O verbo to customize é “fazer ou mudar alguma coisa de acordo com as necessidades do comprador”. O processo apareceu como reação à entediante logomania de fins da década de 90, quando tudo o que importava precisava vir com marca de grife. Alguém chamou isso de moda de duty free, já que o nome da maison devia estar em letras garrafais, como nas peças à venda nessas lojinhas de aeroporto. Naquele momento, vivia-se a glorificação do status e de uma moda calcada em ícones da riqueza.
 Sem tanta verba para gastar com roupas, uma juventude pra lá de fashion começou a brincar de “trabalhar” as peças, bordando, aplicando acessórios e tornando o look único. Revistas de moda logo adotaram a onda, que, por sua vez, também chegou às passarelas. O esperto estilista alemão Karl Lagerfeld fez para a Chanel em outubro de 2000 (primavera-verão 2001) uma coleção visivelmente inspirada na customização. Com isso, ele buscava, de um lado, atingir consumidores mais jovens e, de outro, rejuvenescer a tradicional cliente da maison.
 Assim, ironicamente, pode-se dizer que customizar uma roupa também é “tendência”. Os frutos dessa prática certamente irão adiante.

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