Reiteração e Pontes de Sentido



Reiteração

É outro conceito oriundo da teoria da comunicação, uma das formas de produção de fenômenos de moda, por meio da acentuação de significados. Uma das regras básicas para a observação e captura de sinais relevantes que está na base dessa acentuação de significados e que é uma das formas mais eficazes de transmitir uma mensagem ao receptor, construindo um forte apelo para que o consumidor creia na mensagem.


Pontes de Sentido

O princípio da reiteração deve ser utilizado para a observação de sinais, ampliando-se o campo de observação para diferentes esferas. O estabelecimento de pontes entre sinais congruentes, captados em diversas esferas do comportamento e do consumo, que produz novos sentidos.

Identificar, descrever e acompanhar as mutações das tendências de fundo, dos valores e dos comportamentos, torna-se uma das formas de conferir sentido e de abarcar a complexidade da cultura contemporânea.

A segmentação por valores, uma das formas atuais de posicionar marcas e produtos torna-se essencial no momento em que a lógica do consumo não pode mais ser apreendida apenas por critérios socioeconômicos.

É preciso ir além das “razões de mercado” e fazer apelo a um outro nível de entendimento, que passa pela compreensão dos gostos, dos comportamentos e dos valores. Nesse contexto, marca forte é aquela que ocupa um lugar determinado no imaginário do consumidor, que nela reconhece qualidades intrínsecas, associadas a valores, conseguem transpor limites de renda ou idade, pois consumidores de todos os pontos do espectro social a elas recorrem quando querem consumir aquilo que elas representam.

O conjunto de procedimentos metodológicos funciona através da detecção, observação e interpretação.

O mapa de tendências segue o seguinte percurso: avaliação do cenário sociopolítico-econômico; revisão das sensibilidades dominantes no período imediatamente anterior; sinais do comportamento; sinais da esfera do consumo; chaves interpretativas e recomendações.

Um quadro recessivo para a economia mundial, de certo modo traumatizada em função dos acontecimentos posteriores ao 11 de setembro de 2001. Em 2003 desenhou-se um cenário bastante sombrio, sob o signo da insegurança e do medo.

Essa nova queda, 12 anos depois da queda do Muro de Berlin, vem apenas confirmar que a nova ordem mundial ainda não acabou de se desenhar: os lugares, reais ou imaginários, estão em processo de reacomodação, como evidencia, aliás, a mudança de lugar do poder cristalizado pelo “império norte-americano” na percepção das pessoas, principalmente os habitantes do Sul.

A influência mais forte que se anuncia é o rock, em detrimento do predomínio atual da música eletrônica e de sua cultura. Recupera-se o grunge, movimento forte e original do início dos anos 1990, um movimento híbrido, do ponto de vista estilístico, tendo mesclado elementos de fontes díspares, entre a revolta e o mal-estar na civilização, próprios do movimento punk, e um abandono de si, sobretudo no nível da aparência, característico dos hippies.

Os anos 1990 também foram marcados pelo fenômeno conhecido como minimalismo, conceito estético criado muito antes e que quer dizer, obter ao máximo de efeito com o mínimo de elementos, uma obsessão pela restrição.

Essencialismo, ao contrário, quer dizer cultivar o que é necessário e indispensável, não priorizando o efeito que se possa obter, mas sim os aspectos que digam respeito à natureza mesma das coisas, das pessoas, da vida. Nesse sentido, a idéia de ecologia como equilíbrio aplica-se aos universos da aparência e do consumo: ecologia da aparência, ecologia do consumo.

O cenário sociopolítico-econômico desenhado confirmou-se em sua totalidade. A estagnação econômica foi maior do que a esperada.

Os sentimentos de pessimismo e medo, em função dos indicadores econômicos e do desemprego, continuaram assombrando o País, a guerra no Iraque e a continuidade dos ataques terroristas no mundo.

Entre as propostas de moda apresentadas em janeiro de 2003, nos desfiles de São Paulo e Rio de Janeiro, o vocabulário grunge atualizado foi referência reiterada pela mídia especializada. O neoconstrutivismo manifesta-se sob a forma de um interesse redobrado pelo diálogo entre arquitetura e moda.

O rock voltou a ser apresentado como a principal influência estética sobre o comportamento jovem e um abandono paulatino dos referenciais tecno, banalizados, foram notados pela mídia especializada, a partir do final de 2003.

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