MARCAS e ESTILISTAS: Fendi, tudo a ver com alta moda e ficção.


Fendi é uma casa de moda italiana fundada em 1925 por Edoardo e Adele Fendi, artesãos de Roma.
A Casa de Fendi começou como uma empresa familiar italiana, e, posteriormente, veio a alcançar destaque na vanguarda da alta costura.
Adele Casagrande, fundadora da Casa de Fendi, abriu uma pequena loja de peles e artigos de couro, em Roma, em 1918. Em 1925, Adele casou-se com Edoardo Fendi, e trocou o nome de sua loja para o de seu sobrenome. A Fendi possuia uma longa lista de clientes cativos, e em 1938 eles abriram uma segunda loja em Roma.
Com o tempo, os negócios continuaram a crescer, e de cada uma das cinco filhas de Adele ingressou no negócio da familia, quando atingiram idade suficiente. Edoardo morreu em 1954, deixando a empresa exclusivamente nas mãos de Adele e suas filhas. Paola assumiu o negócio de peles, Anna concentrou-se em couro, Franca se envolveu no relacionamento com clientes, Carla passou a ser a coordenadora dos negócios, e Alda assumiu o departamento de vendas. Com cinco ativas e vibrantes mulheres jovens ao leme, A Casa de Fendi começou a subir os degraus da alta costura.
Em 1965, o designer alemão Karl Lagerfeld juntou-se à Fendi, trazendo o seu apurado senso de moda e conhecimento em design. Ele criou o logo "FF" invertido, o que acabaria por se tornar um símbolo mundial da marca.
Atualmente, Maria Silvia Venturini Fendi, filha de Anna Fendi, é chefe de departamento de estilo, e o seu designer chefe é Karl Lagerfeld. A Casa dos Fendi continua um passo à frente dos outros, com desenhos de ponta e acessórios em destaque.
Existem atualmente mais de 100 lojas em todo o mundo, com uma loja na emblemática cidade de Nova Iorque, na Quinta Avenida. Embora as suas lojas estão espalhadas por todo o globo, Fendi permanece fielmente alocada em Roma.
Fendi tem tudo a ver com alta moda e ficção, com criações inovadoras e coleções que nunca deixam de impressionar e surpreender a indústria da moda. Acima de tudo, eles continuam a produzir peles de alta qualidade e luxuosas. Embora tenha morrido em 1978 com a idade de 81 anos, Adele Fendi criou um império de moda que excedeu todas as sua expectativas.
O uso de pele animal por parte da grife, entretanto, vem sendo muito criticado: basta entrar no site oficial da marca para perceber o uso de couros de cobras e peles de ursos, entre outros animais, como vestimentas. Um exemplo do mais recente protesto ocorreu no mês de Julho de 2011 na Coréia do Sul, em que muitos civis rasgaram um animal de mentira e deixaram escorrer sangue falso do mesmo sobre o nome da Fendi. A notícia foi assim descrita pelo site g1.com.br "Ativistas sul-coreanos fazem protesto na capital Seul contra um desfile da grife italiana Fendi, e despedaçam um animal de mentira, que havia sido preparado com sangue falso em seu interior. Eles também pediram apoio em uma campanha de boicote à marca."
Suas bolsas e casacos de pele desfilam nos ambientes mais luxuosos e sofisticados do mundo. O logotipo composto por duas letras F é visto e reconhecido como símbolo de status no mundo inteiro. A grife FENDI traz o sobrenome da lendária família italiana, interpretando o passado de modo contemporâneo, homenageando a tradição do artesanal e celebrando a geração de novos e preciosos materiais e valiosos detalhes. A grande popularidade da FENDI, no entanto, deve-se mesmo às bolsas, que jamais economizaram o logotipo da marca e fizeram dele um verdadeiro e disputado símbolo de status.

A história


Tudo começou em 1918 quando Adele Casagrande abriu uma loja de couro e peles na Via Del Plebiscito no centro de Roma, que fabricava também bolsas de couro macio com refinamento de formas, texturas e minuciosos acabamentos de fechos e fivelas, além de sacolas de verão feitas com tiras de lona. Quando ela se casou com Edoardo Fendi em 1925, eles tomaram a decisão de mudar o nome da loja para FENDI. Era o período do pós-guerra, onde a classe média estava tentando se reerguer e voltar a ter hábitos consumistas. Foi com esse cenário, que a loja rapidamente se tornou um sucesso, vendendo malas de couro e outros artigos. O negócio prosperou e uma nova loja foi inaugurada na Via Piave em 1932, uma área residencial que estava se tornando um centro comercial da época. O crescimento da FENDI, já bem conhecida e conceituada em Roma, com importantes clientes cativos, começou a romper as fronteiras da região, tornando-se um símbolo de estilo e bom gosto para as mulheres italianas.
Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, a segunda geração da família começou aos poucos a ingressar nos negócios. A primeira a trabalhar na empresa foi Paola, filha mais velha e então com 15 anos na época, que depois assumiria a divisão de peles, seguida de suas irmãs Anna (divisão de couro), Franca (relacionamento com clientes), Carla (coordenadora de negócios) e Alda (departamento de vendas). As jovens implantaram idéias modernas e criaram linhas arrojadas de produtos (malas, bolsas e casacos de pele). Em 1964, a marca que já era muito conhecida na Itália, abriu uma de suas muitas lojas nesse período, na sofisticada Via Borgognona. Em 1965 uma aliança foi selada entre a empresa e o jovem designer alemão Karl Lagerfeld (hoje também o atual estilista da maison Chanel), que assumiu como diretor criativo da grife, apresentando uma nova leitura aos casacos de pele, fora da alta costura e dentro do prêt-à-porter (expressão em francês para roupa comprada pronta em lojas) como a jaqueta jeans com acabamento em pele. Foi ele o responsável pela criação do logotipo com os duplos F invertidos (chamado de “Zucca” quando é maior e “Zucchino” quando é menor), que mais tarde foi adicionando à lista de símbolos de status internacional, e, ajudado pelas irmãs, revolucionou o tratamento das peles e de outras roupas.

Outros materiais, como fibras entrelaçadas e até mesmo peles revestidas em ouro 24 quilates, passaram a ser aplicados nos acessórios da marca. Bordados, impressões e cores também foram inseridos em suas coleções ao longo dos anos. O que era uma peça preciosa, mas rígida e pesada se tornou leve, macia, elegante. A equipe comandada pelo alemão trabalhou para inventar novas maneiras de se trabalhar com as peles (curtimento, tingimento e tratamento), além de ter introduzido peles inusitadas, transformando-as em acessórios de moda. A FENDI conquistou prestígio e a liderança no setor, utilizando peles tingidas, com mão-de-obra de alta qualidade e refinada técnica de corte, trunfos que valeram à marca italiana a conquista de vários prêmios internacionais.
 
Em 1968, as malas e bolsas da FENDI foram descobertas em Roma por Marvim Traub, então presidente da famosa loja de departamento americana Bloomingdale’s, que as levou para serem vendidas em Nova York. Não demorou muito para os produtos da marca despertar a atenção de várias outras lojas americanas que queriam tê-los para vender á seus consumidores, fazendo com que hoje em dia a FENDI seja a marca com maior número de representações dentro das tradicionais lojas de departamento.

 
Na década de 70, a marca alcançou um grande reconhecimento e seus produtos eram vendidos nas melhores lojas do mundo. A empresa lançou uma nova linha de produtos e acessórios, como luvas, jeans, gravatas, óculos, relógios, isqueiros e canetas em 1984. No ano seguinte, para comemorar os 60 anos da marca, organizou um desfile no Museu de Arte Moderna de Roma. Somente em 1989, inaugurou sua primeira loja em solo americano, localizada em plena Quinta Avenida. Era a primeira vez que todos os produtos da marca podiam ser encontrados em um mesmo lugar. Em 1999, a marca foi comprada pelo poderoso grupo LVMH, mantendo os membros da família em cargos importantes dentro da empresa. Somente dois anos mais tarde, em 2001, a FENDI inaugurou sua primeira loja âncora na cidade de Paris, o centro da alta costura mundial. Nos anos seguintes a marca continuou lançando bolsas de enorme sucesso no mercado mundial, sempre ditando tendência no segmento.
A linha do tempo


1966
● Lançamento da primeira coleção de pele assinada por Karl Lagerfeld. Foi sucesso imediato para os novos consumidores.
1967

● A grife italiana desenvolveu um trabalho inovador em casacos e mantôs de pele, utilizando coelhos e esquilos.
● Lançamento de um casaco reversível forrado de pele e outro em estilo quimono, misturando linda e perfeitamente pele com couro e vários tecidos.
1968

● A grife organizou um desfile no Japão e não demorou muito para que seus produtos estivessem disponíveis no mercado daquele país.
1969 ● Lançamento da primeira coleção de roupas prêt-à-porter no Palazzo Pitti em Florença, depois que as irmãs não encontravam mais roupas de outras marcas para complementar o visual dos desfiles dos casacos de pele da marca. 1985 ● Lançamento do primeiro perfume feminino chamado Fendi for Women. Nos anos seguintes a linha foi expandida com a introdução do Theorema Uomo e Fendi Uomo (para homens), introduzido em 1988; e Celebration e Fantasia (para mulheres).
● Lançamento da primeira linha de móveis e objetos de decoração da grife italiana.
1987 ● Lançamento da Fendissime, uma linha de produtos voltados para o público jovem e moderno, que rapidamente cresceu separadamente da marca principal. 1989 ● Licenciamento do nome e o logotipo da FENDI para a empresa Cross Pens fabricar instrumentos para a escrita. 1990
● Lançamento da linha
FENDI UOMO
de roupas e acessórios masculinos para qualquer momento e circunstância da vida de um homem. 1991
● Lançamento de sua primeira linha de jóias e de óculos.
1997 ● Lançamento da bolsa baguette, uma criação de Silvia Venturini, e que se tornaria, dois anos depois, a bolsa mais vendida no mundo. O nome surgiu por acaso, quando, em seu lançamento, no outono, alguém comentou que o modo certo de usá-la era debaixo do braço, da mesma maneira que os franceses carregam o referido pão - e não como uma bolsa de mão. Até hoje, mais de 600 modelos, utilizando diferentes materiais, foram criados para esta linha de bolsa da marca italiana. Essas bolsas chegam a custar mais de US$ 30 mil. 1998
● Lançamento, em uma homenagem a criação made by hand, da coleção de
bolsas La Selleria
, uma série limitada em “cuoio fiore”. 2001 ● Lançamento da bolsa mini-baguette, mais macia e cilíndrica que o tradicional modelo. 2005
● Lançamento da
bolsa SPY FENDI
, que rapidamente se transformou em um fenômeno entre as celebridades mundiais. 2006 ● Lançamento da B FENDI, uma coleção de bolsas extravagantes que utilizam materiais diversos como jeans, náilon e couro. 2007
● Lançamento do perfume feminino
FENDI PALAZZO
. A embalagem do perfume vista de frente reproduz a imagem do próprio Palácio FENDI, na Itália, como elemento decorativo. O frasco, criado por Karl Lagerfeld e produzido pela Pochet, é simples, mas a decoração foi feita de forma criativa, o que torna o produto diferenciado. O lado de traz do frasco foi decorado com o padrão que reproduz as linhas do Palácio Fendi. No painel frontal, um filete de platina em todo o perímetro funciona como uma moldura. Apenas 18 meses depois, a marca italiana decidiu retirar o perfume do mercado. Segundo a empresa, apesar das vendas serem boas, ficaram aquém das expectativas em 2008. 2010
● Lançamento do mais novo perfume da marca:
Fan di Fendi

Peças artesanais

Em um culto a tradição, bolsas, pastas executivas, valises, malas e artigos de couro são criados tomando como inspiração o passado com adição da qualidade e refinamento de seguir a evolução em seu design único e incomparável. Made by hand (feito à mão), é um dos essenciais elementos genuínos da FENDI, detalhes que nos remetem a preciosidade de cada peça na coleção, confeccionados inteiramente de modo artesanal, com o mesmo cuidado com que em 1925 um grande seleiro romano colocou o logotipo de prata nas bolsas criadas por Adele Fendi. Para se ter uma idéia deste processo, apenas três artesãos são capacitados para confeccionar à mão uma bolsa “baguette”, que demora aproximadamente 12 dias para ficar pronta. Uma edição limitada de apenas 100 modelos chegou recentemente às lojas européias, a preços que atingem facilmente os US$ 3 mil.
 
Mas, talvez a bolsa que retrate melhor toda essa preocupação da FENDI em investir nas pesquisas por materiais diferentes e em técnicas que possam expressar o luxo e a elegância seja a
Straw Twins
, uma peça versátil para a mulher moderna, que completa o visual de fim de semana, ótima para um passeio de barco ou ainda para ir às compras. O corpo da bolsa é todo feito em fibra de ráfia trançada e costurada à mão, e está disponível em sua cor natural dourada ou em preto. As alças em couro preto dão um toque de charme ao modelo, que tanto pode ser elegantemente carregada nas mãos, como pode ser pendurada no ombro, através de uma tira ajustável também em couro preto, completando um visual mais despojado. O tradicional logotipo da FENDI une as alças ao corpo da bolsa. Seu interior é forrado em tecido e não possui divisórias, o que facilita carregar um netbook, ou aquela necessaire um pouco maior. Há apenas um bolso com zíper para levar os menores pertences. Todos os adornos em metal são dourados, desde o fecho magnético, o zíper do bolso interno, os pés que protegem a parte inferior da bolsa, até a plaquinha que leva o nome da marca.
 
A controvérsia


 

No dia 19 de outubro de 2007, a FENDI realizou, segundo especialistas de moda, o mais grandioso desfile da história utilizando como passarela a Grande Muralha da China. Foram 500 convidados, entre eles celebridades chinesas como a atriz Zhang Ziyi, 88 metros de passarela e supostos US$ 10 milhões para que 88 modelos desfilassem visuais (muitos na cor símbolo da China, o vermelho) com motivos circulares numa coleção que evidenciava símbolos de prosperidade e felicidade. O megaevento fez parte da estratégia do grupo de LVMH, de promover o nome da grife italiana de uma forma mais agressiva, especialmente no próspero e emergente mercado chinês.
A ousadia
Por muito tempo, as peles de animais foram banidas das passarelas, em nome da moda politicamente correta. Pele e couros sintéticos, no entanto, não se comparam ao luxo das peças autênticas, que aos poucos estão conquistando novamente seu lugar nos guarda-roupas de celebridades e, conseqüentemente, na alta costura. A FENDI tem lugar de destaque neste cenário, já que Karl Lagerfeld é o estilista que mais revolucionou a arte de trabalhar com peles. Mas isso, fez com que a marca italiana se tornasse um dos principais alvos de ativistas e associações que defendem os direitos dos animais.

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