CURIOSIDADE: A origem dos calçados.

 
  Existem evidências que mostram que o calçado surgiu no final do período paleolítico no ano de 10.000 a.C. Pinturas em cavernas da Espanha e sul da França fazem referências ao calçado.
                                                          
 O principal objetivo do uso do calçado era para proteção. O homem primitivo utilizou diversos materiais para proteger os pés, como o couro cru, madeira, palha e tecidos. A montagem era bem simples: Cortava-se o couro em um tamanho próximo ao pé e o trançava com tiras, geralmente de fibras ou papiro.

 Há evidências ainda que apontam que o sapato surgiu quando foram utilizados dois tipos de couro para a montagem, sendo um mais fino para o cabedal e o outro mais grosso para o solado. Alguns solados eram de madeira. Os cavalos e bois eram os melhores fornecedores de couro para os solados, já o couro de cabra e cachorro serviam para o cabedal.

 As sandálias foram os primeiros calçados feitos pelo homem. Cada civilização antiga criou a sua versão, que tinha como base uma sola rija presa ao pé com tiras.

 Nos países mais quentes, como no antigo Egito, as sandálias eram mais usadas. Elas eram feitas de palha, tramas de papiro ou fibras de palmeira. Apenas os nobres a usavam. Mulheres e Faraós adornavam seus calçados com jóias. A ponta do solado da sandália egípcia era voltada para cima, para evitar a entrada de areia nos pés.


 Em outros países quentes como a Índia, usavam-se sandálias de madeira, várias vezes cobertas com prata ricamente trabalhada. Não usavam couro porque suas crenças proíbem matar vacas. Os africanos fabricavam modelos de enfiar no pé com cabedal colorido. Na China, os calçados eram feitos de madeira, eles foram os criadores do tamanco, que eram muito usados nos campos.

 Os incas, povos que viviam no atual Peru e tiveram seu apogeu no século XV, eram hábeis artesãos e produziam tecidos de alta qualidade, e objetos de ouro e prata. Nos pés calçavam sandálias de couro ou sapatos de fibras de vegetais.

 Mais tarde, povos eslavos criaram as sandálias de feltro e espanhóis as de corda (espadrilha).

 Na Grécia, o modelo mais adotado foi a sandália, usada tanto por homens quanto por mulheres. Mais tarde, foi adotado o calçado em forma de botinha, para proteger o tornozelo.

 Os romanos foram os primeiros a moldar sola e gáspea, e a fazer formas diferentes para os pés direito e esquerdo, fato que fez grande sucesso. Em Roma, os calçados indicavam uma classe social, e os modelos se diferenciavam por cores. Eles também possuíam solas com adornos especiais e as pessoas de baixa estatura usavam plataforma para parecerem maiores. A “Carbatina” romana do século II foi a precursora do mocassim. Seu couro era recortado e preso com uma tira que conseguia moldar o pé do usuário. As mulheres romanas usavam ainda uma espécie de chinelo em casa chamado “soccus”, que podia ser de várias cores e tinha, às vezes, figuras pintadas.
Soccus
  As primeiras variações dos sapatos romanos foram as botinas que viriam a proteger também os tornozelos, um destes modelos é a Crepida, denominada assim pelo barulho que faziam uma sola e uma camada de cortiça, chegando a ser fabricadas até com fivelas metálicas cravadas de pedrarias e com cores berrantes, onde dominava o vermelho púrpura.

 Na Idade Média, homens e mulheres usavam sapatos de couro abertos, semelhantes a forma das sapatilhas. Os homens também usavam botas de cano baixo e alto atadas a frente e de lado. O material mais usado era pele de vaca, mas as botas de mais qualidade eram feitas de pele de cabra. Havia sapatos para festas, para compor armaduras, chinelos, calçados com saltos exagerados ou sem saltos. Alguns modelos tinham a ponta tão comprida que era amarrada ao joelho. O tamanho da ponta servia para distinguir as classes sociais. Na Idade Média, prevalece um sentimento forte de espiritualidade, obscuro, místico, decadente e abundante de fervor civil e religioso. Com o advento do Renascimento, os aspectos dos sapatos privilegiam a proteção e praticidade, ao contrário do luxo e ornamento do período anterior. Neste período, impõe-se aos sacerdotes o uso de um sapato fechado de cor "púrpura" para se destacar dos fiéis durante a celebração das missas, enquanto o povo usava simples sandálias.

 Próximo do século XII, surgem as poulaines, difundidas em toda a Europa e principalmente na França e Inglaterra; este calçado se caracterizava pelo estreitamento e alongamento das pontas, bicos. O comprimento do bico do sapato era proporcional à posição do indivíduo na sociedade, quanto mais alto o nível na escala social, maior o bico, o que provocou até uma competição hierárquica. Eram fabricados em couros, veludos, brocados e bordados em fios de ouro. Foi Francisco I, rei de Espanha, quem decretou o fim deste tipo de calçado.
Poulaines
  Foi ainda no século XV que este tipo de pontas aguçadas foi proibido por Henrique VIII, rei da Inglaterra na época, por ter pés largos e inchados, o que o tornava inconveniente e doloroso. A partir daí, são aceitos os chinelos rasteiros com base larga e muito mais confortáveis. A moda, a arte, e os hábitos dos italianos se diferenciavam do restante da Europa (medieval) desde o século XV.

 Os nomes de calçados inspirados em nomes de reis franceses, que se tornaram uma grande moda na Europa, surgiu no fim do século XV com o modelo alongado Henrique III e as botas quadradas de Henrique IV. Também no século XV surgiu o 1°salto, o Luis XV. Neste mesmo período também houve a padronização da numeração de origem inglesa. Na Veneza deste século, os sapatos chamados chapins (plataformas de 65 cm ou mais) feitos de cortiça ou madeira e forrados com couro e veludo eram usados pelas mulheres, eram símbolos de posição social e riqueza e limitavam atividades como as “pecaminosas” danças.  Eram chamados de “banquinhos andantes” e deixaram de ser moda somente dois séculos depois, quando começaram a usar sapatos de salto.

 Os calçados eram chamados de “bico de pato”, porque possuíam um bico quadrado, eram largos, tinham salto baixo, o solado era de couro ou cortiça e eram feitos de veludo, couro ou seda. Também possuíam recortes e eram adornados com jóias.

 Nos pés usavam sapatos ou botas. Os sapatos tinham bico arredondado, e no final do século apresentavam o salto. Eram confeccionados em couro, seda, veludo ou tecido simples. As botas, no início eram usadas somente para montar, mas passaram a ser usadas o tempo todo. Os modelos podiam chegar até a coxa, com as extremidades superiores viradas para baixo. Estas botas só foram possíveis pelo progresso no tratamento do couro, e tiveram origem em Córdoba, na Espanha. Botas de couro com abotoaduras para mulheres surgiram nessa época.

 A moda espanhola continuou a dominar, mas houve algumas modificações. Na Holanda a moda era diferente de toda a Europa, por causa de seu sistema de governo protestante. A atitude do rei inglês foi se libertar da moda francesa, o que não agradava Luis XIV, que se esforçava para tornar a França líder na Europa. Os sapatos tinham enfeites enormes, rendas e brilhos e o salto vermelho era símbolo de status na Europa. Os sapatos femininos eram simples e ficavam escondidos pela saia. As botas eram o modelo de calçado mais usado.

 Após a Revolução francesa, o salto grosso e curvo e a biqueira em bico eram as principais características do sapato do século XVIII. Neste período a moda se organiza como fenômeno cultural e social, e o calçado evolui na sua produção artesanal devido às exigências da sociedade. Surgem os diversos tipos de sapato, para passeio, para trabalho, etc.

 Os sapatos ingleses tinham saltos mais grossos e eram mais práticos. O salto “Louis”, largo na base e cintado no meio, nasceu na corte francesa de Luis XV e é usado até hoje.
Salto "Louis"
  No século XIX surgiram as botinas e sapatos de elástico. As botas femininas deste século possuíam salto, abotoaduras e enfeites, e simbolizaram o inicio da moda do calçado feminino. Neste mesmo século começaram a surgir as máquinas para auxiliar na confecção de calçados, mas só com a máquina de costura o sapato passou a ser mais acessível.

 Os sapatos, com raras exceções, eram feitos sem saltos. O tipo mais usado era a sapatilha, às vezes amarrada ao tornozelo como uma bailarina. Eram feitos de seda ou crepe, com cores que combinavam com o vestido. Os pés muito pequenos eram admirados como sinal de nobreza.

 Em 1888 surgiu a primeira fábrica de saltos dos Estados Unidos, permitindo que as mulheres seguissem a moda sem precisar importar os sapatos de Paris. No fim do século a bota ficou ao alcance de todos e tornou-se símbolo crescente de igualdade não apenas entre os sexos mas também entre as classes sociais.

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