A MODA NO MUNDO: a alta-costura.

  A alta-costura é considerada o território de sonho da moda. Sua origem, claro, é Paris. Em 1858, o inglês Charles Worth (1825-95) acabara de abrir sua própria maison, onde criava roupas para novos-ricos e pequenos - burgueses.  Ao ver uma de suas peças, a imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão III, indica-o para o cargo de “estilista imperial”. Nascia o conceito de alta-costura (haute couture), e o estilista tinha agora um status de criador supremo, diferentemente das costureiras e alfaiates. Depois de adotada pela alta sociedade, a moda da alta-costura era reproduzida nas máquinas caseiras.
 Worth foi quem definiu que devia haver duas temporadas ao ano, acompanhando as estações e, portanto, as mudanças climáticas. Além disso, ao ter mudado a imagem do vestuário e proposto novidades a cada estação, Worth fez nascer também o desejo da compra - força motriz da moda como um todo. Ao final do século 20, com a alegada crise das idéias (revivalismo etc.), muitas vezes as temporadas não mudam tanto assim de uma pra outra, e há mais evolução do que revolução. De quando em quando, alguém sugere que haja somente uma temporada anual, mas até agora isso não aconteceu.  Provavelmente nem vai, já que a autofágica engrenagem de mudança da moda precisa desse vaivém para sobreviver.
 Outros nomes memoráveis da alta-costura foram Madeleine Vionnet (1876-1975) e Cristobal Balenciaga (1895-1972), até hoje referências na área. O ápice do estilo se deu nos anos 50, com imagens inesquecíveis de glamour. Naquele tempo, 5.600 pessoas trabalhavam em Paris nos ateliês a alta-costura. A partir dos anos 60, com a explosão do prêt-à-porter, a mudança de mentalidades em relação à moda (novos modelos de varejo e novas aspirações dos consumidores) e a queda no poder aquisitivo de parte de seu público, a alta costura experimentou um gradativo processo de decadência, e muitas casas foram fechadas. O prestígio só foi retomado de fato nos anos 90.
 O início da revalorização da alta-costura aconteceu em janeiro de 1996, quando John Galliano apresentou sua primeira coleção para a maison Gibenchy. Duas temporadas mais tarde, ele estava na Dior, e outro jovem, Alexander McQueen, foi apontado seu sucessor. Os dois ingleses, quem diria, iriam reenergizar toda a estrutura do gênero, em termos de estilo e também de marketing. A grande virada ficou a cargo de Bernard Arnault, o poderoso chefão da Louis Vuitton Moët Henessy (LVMH). O megaexecutivo tirou Hubert de Givenchy de sua maison e pôs o rebelde Galliano no lugar daquele lendário estilista. Com isso, criou interesse da mídia pela alta-costura e fez crescer a importância das duas grifes - numa das maiores negociações de todos os tempos, com a guerra de conglomerados de bens de luxo como a LVMH, a Gucci e a PPR (Pinault Printemps Redoute). Depois deles, vieram ainda para renovar o setor os estilistas Jean-Paul Gaultier e Thierry Mugler.
 A alta-costura é comandada pela Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, um conselho que hoje reconhece 13 casas, entre elas Balmain, Dior, Lacroix, Ungaro, Givenchy, Valentino e Versace. Como “cereja” da alta-costura atual, estava Yves Saint Laurent, considerado o maior estilista vivo.  Tendo saído de sua marca de prêt-à-porter (a Rive Gauche) depois que ela foi vendida à Gucci (e que ele próprio foi substituído pelo texano Tom Ford a partir da coleção primavera-verão 2001, desfilada em outubro de 2000), Saint Laurent agora criava exclusivamente para a alta-costura. Assim, a cada temporada, todos prestavam atenção na afiada tesoura do mestre - até que, em janeiro de 2002, ele anunciou sua aposentadoria definitiva.

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