MARCAS e ESTILISTAS: Balmain, alfaiataria elegante com detalhes bem definidos e angulares.


Nascido em Saint-Jean-de-Maurienne (França, 1914), Pierre Balmain depois de ter estudado arquitetura, abre seu salão em 1945.

Na época, junto a Christian Dior e Cristobal Balenciaga, era um dos gigantes da moda, responsável por reenergizar e reformular a maneira que as mulheres se vestiam depois da Segunda Guerra Mundial.

Com a série entitulada Jolie Madame (mulher bonita), lançada em 1952, Pierre começa a fazer sucesso. Ele é responsável pela imagem “parisiense” da mulher daquela época: porte elegante e estruturado, busto delineado, cintura fina e saia ampla, além de corte impecável e linhas requintadas.

Como outros costureiros de destaque, ele conseguiu uma clientela fiel, que era amante tanto do rigor e do luxo (Balmain era muito conhecido pelos seus vestidos de noite!) quanto do natural, tanto que, paralelamente ao seu trabalho com alta-costura, lançou sua primeira linha de prêt-à-porter, conhecida pela alfaiataria elegante, cheia de detalhes bem definidos e angulares.


Entre suas clientes, figuravam várias celebridades e figuras reais, como a rainha da Tailândia, Ava Gardner, Marlene Dietrich, Sophia Loren, Katherine Hepburn, entre outras. Além de ser figurinista de vários filmes, foi o vencedor de vários prêmios da área, como Tony Awards e Drama Desk Awards.

Vale lembrar que a casa de moda também investiu na área de perfumaria, lançando várias fragâncias famosas, entre elas o Vent Vert.


Depois de sua morte em 1982, quem continuou o legado de Pierre foi seu braço direito e assistente Erik Mortensen, mantendo a sofisticação e luxo de seu mentor. Erik deixa a maison em 1990, sendo substituído por Hervé Pierre.

Hervé saiu em 1992, dando lugar a um dos grandes da moda, o designer dominicano, Oscar de La Renta (depois de ter trabalhado em casas como Balenciaga, Elizabeth Arden e Lanvin), encarregado do departamento de Haute Couture da marca.


De La Renta tinha a missão de manter o glamour da marca, e teve sucesso nesta missão e durante seu tempo lá, em 1998, Gilles Dufour (após 15 anos como braço direito de Karl Lagerfeld) assumiu o prêt-a-porter trazendo a irreverência e atitude que vemos nas criações atuais.

Mesmo modificando totalmente a cara da marca, Gilles manteve alguns aspectos da silhueta feminina, e percebe-se que foi o ponto de virada para virar o que a Balmain é atualmente.


De La Renta saiu em 2002, e Gilles em 2000, dando lugar a Laurent Mercier, chefe de criação tanto de peças de dia quanto de noite.

Porém, em 2003, a Balmain entrou em um período muito difícil, financeiramente, e foi obrigada a declarar falência. Investidores reviveram a maison, em 2005, trazendo o estilista Christophe Decarnin, que havia acabado de sair da Paco Rabbanne após 10 anos de trabalho.


A marca que antes era conhecida pelas roupas de noite super elegantes, com foco na construção e nos drapeados e plissados, agora com Christophe foi criada uma imagem mais sexy e agressiva, traduzindo o que todas as french party girls querem usar.

De acordo com seu atual dono, Alain Hivelin, a empresa dobrou o faturamento depois da contratação de Christophe, com projeções que chegam a 28 milhões de faturamento. Além disso, expansões também estarão no presente e futuro da marca, com linhas de sapatos e acessórios, além da coleção masculina lançada em 2008.


Balmain é uma das marcas mais desejadas atualmente, com vestidos custando 12 mil dólares, 3 mil dólares por uma camiseta, e 5 mil por um casaco, ela também é responsável por você ter usado a exaustão o ombro marcado, estar louca por aquela jaqueta militar, e por ter transformado aquela skinny jeans com tye dye.

Tudo isso prova que sem bons investidores, um designer com visão de mercado e uma estratégia de marketing, poucas marcas vão pra frente. Mas mais importante é ter orgulho do passado, ainda mais com uma maison tão cheia de importância na história da moda.


Tudo bem que a Balmain tomou novos rumos, porém, acredito que a paixão pelos bordados luxuosos, a valorização da silhueta feminina e os detalhes marcantes ainda estão lá. Talvez Pierre se revire no túmulo toda vez que vê aqueles mini-comprimentos, mas que não podemos negar o sucesso atual da marca, não podemos.

“Fazer roupas é a arquitetura do movimento” Pierre Balmain


Balmain A.C.

A Balmain foi fundada em 1945 por Pierre Balmain. Seu criador acumulou experiência trabalhando na Maison de Edward Molyneux e na de Lucien Lelong. Nessa última ele foi colega de Christian Dior. Segundo Charlotte Seeling no livro “Moda, Século dos Estilistas”, Dior e Balmain quase abriram uma empresa em sociedade. Seu lema era: “a elegância surge da simplicidade”. Suas formas eram arquiteturais. O estilo de Pierre Balmain era muito elegante. Ele gostava de tons suaves, acabamento com peles, bordados. Uma feminilidade clássica, que valorizava o corpo da mulher.

Balmain tinha sobretudo um ótimo tino para escolher seus assistentes. Primeiro foi John Cavanagh. Ele trabalhou por lá até 1952, quando fundou sua própria Maison. Em 1954 ele emprega Karl Lagerfeld, jovenzinho que ganhara o prêmio do Secretariado da Lã (Yves Saint Laurent ficou em segundo). O Kaiser da Chanel ficou por lá até 1958 quando foi para o ateliê de Jean Patou.

Após a morte de Pierre Balmain, em 1982, a grife sobreviveu. A partir de 1982 com Eric Morteson, em 1990 assumiu Hervé Pierre, em 1992 foi Oscar de La Renta o eleito. Em 2001 Laurent Mercier passa a assinar o pret-a-porter. Dois anos depois De la Renta sai e Mercier também assina a alta-costura. A Balmain não andava bem das pernas. Quase faliu.


Balmain D.C

Um grupo de investidores ressucitou a marca em 2005, convocando o jovem francês Christophe Decarnin. O atual diretor critiavo trabalhou com Paco Rabanne e deu vida nova a casa. Sua coleção mais comentada foi a de verão 2009. Ela reúne todos os itens citados acima.

E a Madonna também aderiu a Balmain-mania. Ela usa um vestido da marca no novo clipe Celebration.

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