MARCAS e ESTILISTAS: Gaultier, o “enfant terrible” da moda francesa.


 Jean-Paul Gaultier (Arcueil, 24 de abril de 1952) é um estilista francês.

 Gaultier não recebeu educação formal como desenhista. Começou enviando seus desenhos aos estilistas famosos de alta costura quando era muito jovem. Pierre Cardin se impresssionou pelo seu talento e o contratou como assistente em 1970. Sua primeira coleção individual foi lançada em 1976 e seu característico estilo irreverente data de 1981, tornando-o conhecido como enfant terrible da moda francesa.

 Jean-Paul Gaultier fez trajes para a cantora Madonna na década de 1990. Promoveu o uso de saias, especialmente kilts, para os homens. Causou grande impacto nos desfiles ao usar modelos pouco convencionais, como homens idosos e mulheres gordas, modelos tatuadas e com piercings, entre outras excentricidades. Isto lhe valeu muita crítica mas também trouxe muita popularidade.

 Criou também o figurino de muitos filmes, como em O quinto elemento, de Luc Besson; Kika, de Pedro Almodóvar; e The Cook the Thief His Wife & Her Lover, de Peter Greenaway entre outros. A turnê Blond Ambition Tour de Madonna também mostrava suas criações, incluindo o famoso soutien em formato cônico.


 Atualmente desenha para três coleções: a sua própria linha de alta costura igual a Giorgio Armani, a linha de roupas para lojas, assim como a linha de roupas da Hermès, luxuosa empresa francesa especializada em produtos de couro.

 Gaulter também lançou uma linha de perfumes de muito êxito. Seu primeiro perfume, Classique, para mulheres, foi lançado em 1993, seguindo-se, dois anos depois, o perfume Le Mâle ao qual foi o seu grande sucesso de vendas, para homens. Atualmente lançou o perfume Madame.

 Estilista francês nascido em 1952, em Arcueil, um subúrbio de Paris. Na sua adolescência faltava a muitas aulas para ir desenhar roupas ou para aprender com a avó a fazer maquilhagem e arranjos de cabelo. Aos 18 anos, começou a carreira no mundo da moda como desenhador assistente da tradicional casa Pierre Cardin. Pelo meio colaborou com Jacques Esterel e Jean Patou.

 Apesar destes antecedentes convencionais, quando, em 1976, se lançou com a sua própria marca, o estilo irreverente de Gaultier baseava-se mais no movimento punk londrino da época do que nas tendências da moda parisiense. No mesmo ano, fez a primeira mostra do seu trabalho no Palácio da Descoberta, em Paris, onde apresentou roupa inspirada em esteiras de palha.

 Conhecido pelos seus shows exóticos, foram precisos vários anos para que Gaultier fosse bem aceite no meio parisiense. Como o costureiro, na altura não obteve apoio financeiro por parte dos investidores franceses e acabou por ser o grupo japonês Kashiyama a apoiá-lo no lançamento da sua primeira coleção temática. Assim, para o outono/inverno 79/80, Gaultier lançou a coleção James Bond. As suas criações desafiam o convencional, como aconteceu quando, em 1988, apresentou propostas de saias para homem, ou quando, em 1990, desenhou, para a cantora norte-americana Madonna usar na sua digressão mundial, um espartilho que mais parecia uma peça de roupa interior.


 O traço de Gaultier é uma paródia ao estilo convencional da moda internacional, mas, ao mesmo tempo, consegue redefinir as tendências tradicionais, introduzindo novos conceitos. As suas extravagâncias tornaram-no mais famoso do que muitos dos estilistas contemporâneos e valeram-lhe alguns convites para atividades exteriores ao mundo da moda, como um que o levou a apresentar um programa televisivo inglês chamado "Eurotrash".

 Gaultier criou ainda uma linha de perfumes, ao que diz inspirados nas fragrâncias utilizadas pela avó, onde os frascos têm forma de homens e mulheres, alguns dos quais feitos em lata, o que foi outra inovação. O próprio Gaultier aparece em muitos dos anúncios de televisão dos perfumes.

 O estilista participou ainda na elaboração do guarda-roupa de alguns filmes, como aconteceu, em 1989, na obra do galês Peter Greenway, O Cozinheiro, o Ladrão, a Mulher e o Amante, e, em 1997, na história de ficção científica O Quinto Elemento, do realizador francês Luc Besson, com a participação de Bruce Willis e da modelo e atriz Mila Jovovitch.

 Em 1996, Gaultier lançou a sua primeira coleção de alta-costura que conheceu um enorme êxito, tendo sido classificada como uma lufada de ar fresco na já algo estagnada moda parisiense. Curiosamente, em simultâneo, começava a notar-se uma acalmia nas criações do até aí irreverente Gaultier, que ganhou o título de "enfant terrible" da moda francesa.

 Conhecido como o “enfant terrible” da moda francesa, Jean Paul Gaultier tem alma de popstar, alcançou o estrelato quando Madonna empunhou um sutiã de cone em uma turnê mundial e, com sua criatividade e ousadia à flor da pele, se tornou um dos maiores expoentes da moda, assim como fez com sua marca. Sua maior inspiração, tanto na moda quanto na perfumaria, onde suas fragrâncias são campeãs de venda, é o corselet rosa e a camisa de marinheiro, ícones usados nos frascos de seus dois mais famosos perfumes.

A história

 Nascido no dia 24 de abril de 1952 em Arcueil, um subúrbio de Paris, quando menino Jean Paul Gaultier pouco queria saber dos brinquedos que tanto encantavam a garotada da época. Queria mesmo era criar bijuterias e acessórios com elementos que achava no lixo. Isso já revelava seu espírito transgressor e o precoce talento de unir opostos completos em uma peça de roupa. Não é à toa que a imprensa e a crítica de moda são unânimes em afirmar que Gaultier foi o responsável por levantar a discussão sobre o limiar entre o bom e o mau gosto por meio da prática da subversão. Depois de enviar seus desenhos para todos os importantes estilistas da época, no dia do seu aniversário de 18 anos, em 24 de abril de 1970, recebeu um contato da Maison Pierre Cardin: o autodidata Jean Paul Gaultier havia conseguido seu primeiro emprego com um dos mais importantes criadores da época.


 No ano seguinte, uma rápida passagem por Jacques Esterel e pela Jean Patou, e então voltou a trabalhar com Pierre Cardin em 1974 para cuidar da loja do estilista francês em Manila nas Filipinas, onde chegou a desenhar para a primeira-dama do país e mulher do ditador Ferdinand Marcus, Imelda. E, finalmente, em 1976, já de volta a França, Gaultier, com a ajuda de seu parceiro Francis Menuge, assinou a sua primeira coleção e no ano seguinte inaugurou sua própria Maison. Era o surgimento oficial da marca JEAN PAUL GAULTIER e do estilo irreverente que se baseava mais no movimento punk londrino da época do que nas tendências da moda parisiense.

 O nome de Gaultier ficará para sempre gravado na história da moda como um estilista que rompeu conceitos há muito estabelecidos, o que resultou em seu apelido: “enfant terrible” (“criança terrível” em português). Nos anos 80, ele ousou ao deixar aparente a lingerie, trazendo-a do interior para o exterior. E, em 1988, recriou a tradicional construção do traje masculino, ao propor saia para os homens, inspirado no kilt, o traje típico dos escoceses. Uma imagem dessa revolução lhe valeu, seis anos depois, o lugar no pôster principal de uma badalada exposição no Metropolitan Museum de Nova Iorque com o título Coração valente: homens de saia, com imagens e peças de top estilistas do mundo fashion, entre eles o próprio Jean Paul Gaultier. Causou também grande impacto nos desfiles ao utilizar modelos nada convencionais, como homens idosos e mulheres gordas, modelos tatuadas e com piercings, entre outras excentricidades. Isto lhe valeu muita crítica, mas também trouxe enorme popularidade para sua marca.

 Em 1990, seu talento recebeu a coroação final ao ser ungido pela deusa máxima do pop, Madonna, que o elegeu como o estilista de sua turnê “Blond ambition” (do inglês, “ambição loira”). Graças a sua intimidade com a subversão, o estilista trouxe a lingerie à mostra e imortalizou em Madonna o corpete com os bojos cônicos, imagem que ficou registrada como um dos ícones do final do século. Esse foi apenas o início de uma íntima parceria entre a diva loira e o estilista, que muito rendeu - inclusive um pedido de casamento. Em 1995, Gaultier revelou à imprensa que, por várias vezes, teria proposto matrimônio à popstar, que lhe disse: “sim, Jean Paul, eu me casarei com você porque é o único homem que não me fez sofrer”. Quando questionado pela imprensa porque a idéia de matrimônio não teria sido concretizada, Gaultier inteligentemente retrucou: “um dia, nos casaremos de verdade, o que acontece é que ainda não criei um vestido de casamento adequado”.

 Brincadeiras à parte, por duas temporadas, Madonna brilhou em desfiles do amigo. E, de acordo com a sua postura polêmica da época, sempre causando furor. Gaultier também deu um toque de Midas para o segmento dos cosméticos. Vários de seus perfumes bateram recordes de vendas por anos seguidos. O primeiro, feminino, foi lançado em 1993 e a embalagem remetia ao corpete criado para Madonna. O masculino Le Male arrasou quarteirão: ainda é best-seller em muitos países da Europa. Seus perfumes foram inovadores: os frascos tinham forma de corpos de homens e mulheres, e alguns vinham acondicionados em lata. Tal sucesso impulsionou o lançamento não apenas de cosméticos, mas também de uma linha de maquiagem para homens. Delírio para modernos e metrossexuais.

 Outro ponto alto de sua carreira foi o ingresso no mundo da alta costura. Em 1997, ano em que completava duas décadas de sua marca própria, debutou no topo do mundo da moda e, ao lado de seu contemporâneo e também brilhante estilista, o francês Thierry Mugler, se celebrizou por renovar o mundo da alta costura, com desfiles performáticos e inesquecíveis. Em 2003, aceitou o convite da tradicional Hermés e assumiu a direção criativa da Maison francesa, sendo a primeira vez na sua carreira que desenharia para outra marca. Gaultier repaginou a estética tradicional da marca e foi muito elogiado pela imprensa, além de trazer enormes ganhos financeiros para a Hermés até 2010, quando deixou o cargo. Depois de muita negociação, em 2011, o grupo espanhol Puig (que detém as marcas Nina Ricci, Paco Rabanne e Carolina Herrera) adquiriu 60% da empresa, sendo 45% comprados do grupo Hermès e 15% do próprio Gaultier. Hoje em dia a marca possui três coleções principais assinadas pelo estilista: GAULTIER PARIS (alta-costura) e JEAN PAUL GAULTIER (ready-to-wear), para mulheres e homens.


A linha do tempo

1988

● Lançamento da JUNIOR GAULTIER, coleção de roupas para adolescentes e jovens.

1992

● Lançamento da GAULTIER JEANS, coleção baseada em peças jeans com influência da moda de rua.

● Lançamento de uma pequena coleção de móveis.

1993

● Lançamento do CLASSIQUE, primeiro perfume feminino da marca.

1994

● Lançamento do JPG by GAULTIER, uma linha mais esportiva e direcionada aos jovens.

1995

● Lançamento do LE MÂLE, primeiro perfume masculino da JEAN PAUL GAULTIER.

1997

● Lançamento da primeira coleção de alta-costura da marca francesa.

1999

● Lançamento do perfume feminino FRAGILE.

2002

● Inauguração de sua primeira loja própria nos Estados Unidos, localizada em Nova York.

2003

● Lançamento de sua primeira linha de cosmético masculina.

2005

● Lançamento do perfume unissex GAULTIER².

2007

● Lançamento do perfume masculino FLEUR du MÂLE.

2008

● Lançamento do perfume feminino MA DAME.

2009

● Relançamento da JUNIOR GAULTIER, agora com roupas voltadas para crianças.

2011

● Lançamento da GALTIER BEBÉ, uma linha de roupas e acessórios para bebês e crianças até dois anos. A nova marca é composta por macacões de tricô, camisetas no estilo marinheiro, além de bodys com as cores da label, vermelho, azul e branco.

Seu talento nas telas


 Além das passarelas, o estilista também deu um show nas telas. Foi responsável por criar o figurino de filmes marcantes de cineastas de muita personalidade e que entraram para a história do cinema não apenas pela genialidade da obra, mas também pelas roupas especialíssimas. Começou com “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante” (1989), uma deliciosa experiência visual do diretor inglês Peter Greenway. Prosseguiu com “Kika” (1994), do espanhol Pedro Almodóvar. E, mais uma vez, deixou a marca de sua genialidade ao vestir Andrea Caracortada, a personagem encarnada pela atriz espanhola Victoria Abril. Em 1997, cuidou dos croquis da divertida ficção cientifica do francês Luc Besson, “O quinto elemento”, com a participação de Bruce Willis e da modelo e atriz Mila Jovovitch.

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